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Estórias do Seu Lunga
Seu Lunga é um personagem tão folclórico que ninguém acredita na sua existência real. Mas, ele existe. Trata-se do velho, porém, cheio de energia, mais conhecido da cidade de Juazeiro do Norte, no interior do Ceará (terra também do famoso Padre Cícero). Mas, se o homem existe por um lado, o mito em torno dele existe por outro e por todo o Nordeste surgem as mais originais e engraçadas estórias atribuídas a ele. Tudo por conta da sua personalidade de velho carrancudo, malcriado e estupidamente irônico. Esta página é uma homenagem especial da Ceará-moleque a essa ilustre personalidade do folclore vivo do Ceará.
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Seu Lunga e o concorrente
Redigida pelo corpo editorial do Ceará-moleque Tendo chegado na cidade, para se estabelecer como borracheiro, um novo e sisudo habitante, justamente na rua do Seu Lunga, o povo logo começou com o falatório. Não demorou muito, foram dizer para o Seu Lunga, que tinha chegado na cidade um cabra mais "ignorante" (*) do que ele. Seu Lunga ficou louco. Não pode! Aqui o maior sou eu! Mas, tudo bem disse Seu Lunga, eu vou até mesmo precisar de um macaco para trocar o pneu do caminhão e o sujeito pode me emprestar. O homem, por coincidência, se aproximava e quando já estava na calçada do Seu Lunga, este, aos gritos, disparou: - Eu não preciso do seu macaco! E pode ir saindo da minha calçada! (*) Ignorante tem em cearensês, também o sentido de grosseiro, estúpido, malcriado. |
Seu Lunga no Rio de Janeiro Redigida pelo corpo editorial do Ceará-moleque Seu Lunga gostava de viajar e foi conhecer o Rio de Janeiro. Isso, há muitos anos, quando aquela cidade já era, no entanto, muito grande e a nossa Fortaleza ainda muito pequena. Seu Lunga ficou maravilhado. No Rio tinha de tudo, lojas enormes, supermercados, ônibus elétricos etc.
Um carioca malandro achou então de tirar um sarro com o Seu Lunga e enquanto desfazia do Ceará, ia elogiando a sua cidade. Entre outras tolices afirmou:
- Aqui tem até hospital pra cachorro!
Seu Lunga, "puto da vida" , rebateu:
- Então é melhor o senhor nunca ir à minha terra!... |
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Coragem para viajar Redigida pelo corpo editorial do Ceará-moleque
Numa conversa de bar, um coitado foi cair na besteira de dizer, na frente do Seu Lunga, que tinha coragem de viajar de avião, mas, de navio não, porque não sabia nadar. Seu Lunga, no ato, perguntou: - E você sabe voar!...
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Enterrado vivo Redigida pelo corpo editorial do Ceará-moleque
Seu Lunga encontra um conhecido e diz que está indo ao enterro do Chico pedreiro. O conhecido, muito espantado, cai na besteira de perguntar:
- Mas, o Chico pedreiro morreu?...
Seu Lunga , irônica e grosseiramente responde:
- Não!... A família resolveu enterrá-lo vivo. |
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A virada do caminhão Redigida pelo corpo editorial do Ceará-moleque
Seu Lunga havia comprado um caminhão novinho, zero, como se diz. Vinha ele todo feliz praguejando contra os bois, no meio da estrada, quando de repente uma curva se mete na frente do veículo. Seu Lunga tenta seguir a curva, gira a direção rapidamente, mas não tem jeito, o caminhão vira espetacularmente.
Tempos depois, Seu Lunga, que havia escapado da virada (claro senão não estaríamos contando o resto da estória), compra outro caminhão novinho-novinho.
Na estrada de novo, praguejando, ainda mais, contra os bois, encontra um conhecido e apesar de não ser muito do seu feitio, resolve dar carona ao infeliz que vinha no sol quente.
O homem entrou e foi logo perguntando:
- Seu Lunga, como foi a virada do outro caminhão?
Seu Lunga respondeu prontamente: - Foi assim!...
E sem mais demora, virou a direção tão rapidamente quanto da outra vez e o novo caminhão virou também. |
O parafuso difícil de achar Redigida pelo corpo editorial do Ceará-moleque Seu Lunga estava na sua bodega quando entrou um freguês e pediu um parafuso de meia polegada. Nosso personagem apontou a gaveta e mandou o homem pegar o parafuso. O infeliz procurou e procurou e não achou. Pediu ao Seu Lunga e ele conversando e tomando umas e outras, mandou novamente o freguês procurar na tal gaveta cheia de parafusos de todos os tamanhos. Era o mesmo que procurar uma agulha num palheiro. Finalmente, depois de muito tentar e pedir ao abusado vendedor, o homem foi atendido. Seu Lunga foi até a gaveta e rapidamente pegou o parafuso solicitado. O freguês suspirou aliviado e já estava agradecendo e estendendo a mão para pegar o parafuso quando o Seu Lunga bronqueou: - Obrigado coisa nenhuma, eu não disse que estava na gaveta, pode ir procurar que você acha! Dito isso, jogou o parafuso novamente em meio aos milhares lá existentes.
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Seu Lunga na horta
Redigida pelo corpo editorial do Ceará-moleque
Seu Lunga estava limpando o mato ao redor dos legumes que havia plantado quando um conhecido, que passava no momento, perguntou. "Cuidando do horta Seu Lunga?". Foi o bastante pra irritar o mau humorado homem, que imediatamente arrancou todos os legumes e ficou jogando no cabra que teve o atrevimento de fazer tão idiota pergunta. |
Seu Lunga trocando o jerico Redigida pelo corpo editorial do Ceará-moleque
Seu Lunga foi trocar um jegue numa feira de troca de animais. Assim que chegou um cabra abestado foi logo perguntando. "Veio trocar o jerico em outro animal?". Seu Lunga fez uma cara feia e respondeu na bucha. "Vim nojento, mas não num veado como tu!". |
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Seu Lunga foi ao médico
Redigida pelo corpo editorial do Ceará-moleque
Seu Lunga sempre teve muita saúde, mas ninguém é de ferro e um dia achou de ir ao médico para saber de umas dorzinhas chatas. Chegando ao consultório, o médico foi logo perguntando. "O que é que o senhor tem?". Seu Lunga foi dando meia volta e vociferou para o médico. "Se eu soubesse não estaria aqui e sabe de uma coisa, vou procurar é um adivinho que pelo menos tenta adivinhar e o senhor nem isso, vai é logo fazendo pergunta besta!". |
Seu Lunga no Restaurante
Redigida pelo corpo editorial do Ceará-moleque
Seu Lunga levou a família pra almoçar num restaurante e pediu uma coca-cola. O garçom perguntou."É família?". Seu Lunga se irritou e vociferou com o coitado."E você, por acaso, está vendo alguma quenga aqui seu fie de uma égua?".
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Seu Lunga na igreja Redigida pelo corpo editorial do Ceará-moleque
Seu Lunga foi a igreja e o padre, muito satisfeito, pois o truculento homem não era muito de rezas, perguntou todo feliz. "Orando a Deus Seu Lunga?". Seu Lunga, procurando conter a raiva, respondeu. "Não, seu padre, só estou aporrinhando o cão com reza!". |
Seu Lunga pescando
Redigida pelo corpo editorial do Ceará-moleque
Seu Lunga estava pescando quando um matuto chega perto, fazendo barulho, espantando os peixes e ainda por cima com perguntas bestas. "Está pescando seu Lunga? ". O Rei do Mau Humor responde sem pestanejar. "Não abestado! Não está vendo que estou só ensinando a minhoca a nadar!". |
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Redigida pelo corpo editorial do Ceará-moleque Seu Lunga foi ao barbeiro cortar o cabelo. No sertão, cabeleireiro é coisa de mulher e baitola. Homem que é homem só corta mesmo é no barbeiro, onde se tira barba, cabelo, bigode e até pêlos das ventas. Já ia embora, irritado com o preço cobrado pelo corte, quando um abestado que entrava fez uma pergunta pra lá de inocente: “E aí seu Lunga, cortou o cabelo?...” O rei do mau humor respondeu de pronto: “Não seu nojento, só tirei pra lavar!”. |
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Seu Lunga no médico História enviada por Hugo Batista Bezerra/ redação do editor A mulher do Seu Lunga estava com problemas urinários e ele foi falar com o médico: "Seu doutor, a minha patroa está com uns problemas no mijador!". Com naturalidade o médico disse: "Pois então traga sua patroa aqui que eu vejo o que é isso...”. Seu Lunga ficou uma fera: “O senhor, por acaso, já cansou de viver?... O único homem que pode ver isso sou eu e se algum cabra se meter a besta eu corto os pissuídos!”. O médico quase morre de susto e foi logo acalmando o homem que já estava uma fera: "Calma Seu Lunga é só uma maneira de dizer. Pois vamos fazer de um modo diferente, o senhor mesmo responde a umas perguntas sobre o que ela está sentindo, está bem?". E o médico, inocentemente, perguntou: "A sua mulher urina com abundância?”. Seu Lunga ficou mais irritado ainda e gritou: “O senhor é muito é do ignorante, onde já se viu alguém urinar pela abundância? A minha mulher urina é pela priquitância mesmo”. |
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Nota - Estórias extraídas diretamente do anedotário popular e redigidas pelo corpo editorial da Ceará-moleque.
As histórias redigidas ( a redação em si, não a história) pelo editor (ou corpo editorial do Ceará-moleque) são registradas. Todos os direitos reservados.