HISTÓRIAS DO CEARÁ - CAUSOS - CASOS - ANEDOTAS - PIADAS - "ESTÓRIAS" - LOROTAS -  CONTOS - HISTÓRIAS PRA BOI DORMIR.


   Nivardo C. Nepomuceno

           

                      As histórias  

     As histórias publicadas aqui foram baseadas em fatos. Algumas foram vivenciadas pelo próprio redator e outras recolhidas do anedotário popular, porém, reconhecidas como verdadeiras. A do Presidente Castelo Branco, talvez tenha sido exagerada, mas afirmam que ele realmente foi tomar banho na lagoa de Messejana e foi salvo de um iminente afogamento por um caboclo que não quis receber recompensa pelo feito. Como ninguém gostava dele, teriam criado versões maldosas do fato.

 

                   

          O dia em que o sol foi vaiado   

 

   Do anedotário popular 

Redação: Ceará-moleque 


    Esta é uma história clássica e tão conhecida quanto verdadeira. O Sol achou de passar três dias sem aparecer. Como o cearense já estava muito acostumado a sua constante e escaldante presença, não é de se estranhar que sentisse a falta. 
  
    Setenta e duas horas de tempo nublado, sem a mínima réstia de sol, era demais.Todos se perguntavam o que estaria acontecendo, pois nem mesmo época de inverno era.


    Quando o Astro Rei finalmente apareceu, naquele 30 de janeiro de 1942, o povo concentrado na Praça do Ferreira, principal logradouro da cidade, irrompeu em estrepitosa vaia.  
  

Nota curiosa: A vaia ocorrida, há 60 anos, no dia 30 de janeiro de 1942, foi festivamente comemorada com shows musicais e espetáculos de humor. Tudo patrocinado pela Funcet - Fundação de Cultura Esporte e Turismo. A comemoração dos 60 anos no entanto, por motivos alheios à vontade da Funcet, foi só no dia seguinte, 31 de janeiro de 2002. O fato curioso todavia, foi a irônica ausência do sol, frustrando uma nova vaia, que seria o principal momento da comemoração. O astro Rei, pelo visto, não gostou nada da molecagem preparada contra ele.

 

 

 

           

                A oração "parideira"

 

Do anedotário popular 

Redação: Ceará-moleque 

    No tempo em que as mulheres tinham os filhos nas suas próprias casas, com as famosas parteiras, o risco era muito grande tanto para a criança quanto para a parturiente.  Sabendo disso, as mulheres se agarravam com todo tipo de mezinhas (*) e orações.

    Era muito conhecido no interior do Ceará, um velho que vagava de cidade em cidade, num cavalo alazão (**), levando uma bendita e famosa oração "parideira". Aonde o velho chegava, já  ansiosamente aguardado, era uma festa para as mulheres prenhas (***) do lugar. 

    Mas o velho tinha as suas exigências. Além de boa hospedagem e alimentação para ele e o seu cavalo, ninguém podia mexer na trouxinha de pano, pendurada num cordão, onde era embalada a milagrosa oração e nem ele dizia o que lá estava escrito.

    Na hora do parto, bastava à parturiente colocar o poderoso artefato no pescoço e pronto, a criança nascia sem nenhum problema, saúde boa para mãe e filho e tudo bem. Sorte ou não, sempre dava certo e a oração do velho ficava, cada fez mais famosa e requisitada.

    Mas, um belo dia (sempre aparece esse belo dia para atrapalhar a vida de muita gente), uma das amigas de uma parturiente, aproveitando-se da distração do velho, resolveu abrir a trouxinha para ver o teor da oração e quase morre de espanto. Estava escrito, em quase ilegível, caligrafia: "Comendo eu e o meu cavalo alazão, pouco me importo se essa mulher vai parir ou não!".

* Qualquer remédio caseiro.

** Cavalo que tem a pelagem cor de canela.o que tem a de canela.

*** Variante popular de prenhe, grávida.

Histórias do Futebol 

Dedeu jogava também com as palavras

                                  Ouvidas diretamente dos personagens reais e redigidas pelo editor do site. 

    Esta história também é antiga (1970 por aí assim...), mas vale a pena contar. O jogador de futebol Dedeu, cearense que foi jogar no time do Náutico de Recife, tinha uma linguagem muito original. Depois de fazer um gol espetacular, ainda na orla do gramado, foi entrevistado por um repórter de uma rádio local: 

    Repórter  - Dedeu como foi que você conseguiu isso rapaz?

    Dedeu - Ah! Eu fiz que ia não foi e acabei fondo!

A inocência do Sapenha

    Sapenha, outro jogador de futebol mais ou menos da mesma época, era  zagueiro e dentro de campo não tinha nada de inocente, mas, com as palavras... Jogava no Fortaleza e antes do jogo contra um time de Recife, lá na capital pernambucana, concedeu uma entrevista a uma emissora de rádio local.

    Repórter - Sapenha como está o time para o jogo contra o Sport?

    Sapenha - Ah! O time está foda...

    Repórter (já preocupado) - E você? Está bem preparado? 

    Sapenha - Ah! Eu estou fodinha...

    Repórter (já apavorado com as respostas ainda arrisca)

     - Você quer mandar algum recado para o pessoal lá de Fortaleza?

    Sapenha -  Quero! Benção mãe!..

                 -  Outras do futebol -

                     Eu estava no jogo...

    Num jogo pelo campeonato cearense de 2000, o Juazeiro jogava contra o Ceará. O time do interior já estava perdendo o jogo quando o atacante Valdeir, do Ceará, chutou do meio da rua encobrindo o goleiro, a bola já ia entrando, seria um golaço... Seria, se não fosse a pronta intervenção do massagista do time do Juazeiro, que, num toque de muita classe, dominou a bola e saiu calmamente para a lateral do campo.

    Entrevistado por repórteres, o "zagueiro penetra" afirmou: "Eu estava no jogo e apenas evitei o gol...".

                             Se roubar...

 

 

No ano de 1999. num jogo, se não nos falha a memória, entre o Ceará e um time de Pernambuco, a torcida cearense, já escaldada de tantas falhas dos árbitros contra os seus times, levou uma faixa para o estádio. Assim que o jogo começou, foi cuidadosamente desenrolada e nela estava escrito: "Se roubar morre". A mensagem era em tom de brincadeira, claro! Mas, o juiz levou a sério e nunca se viu uma arbitragem tão correta em toda a história do futebol. O Ceará ganhou, é claro!

                    O bandeirinha não levanta mais

     O locutor da Rádio Assunção, no jogo do Fortaleza contra o ABC do Rio grande do Norte em Natal, torcia muito pelo Fortaleza, mas o bandeirinha local, parece que torcia pelo time da casa e não marcava os impedimentos do ataque do ABC. Revoltado o locutor Júlio Sales não se conteve e gritou: "!Esse bandeirinha não levanta mais o pau, assim não é possível!...".

Nota - O Fortaleza venceu esse jogo por 4X1. O Fato ocorreu no dia 11/11/2001.

Histórias de Caucaia e do 

Dr. Paulo Frota

 

 

     Caucaia era uma cidadezinha muito próxima de Fortaleza. Hoje em dia já está bem próspera, sobretudo, na sua faixa litorânea, onde praias como Cumbuco e Icaraí, atraem muitos turistas e a especulação imobiliária cuidou de erguer bairros movimentados e populosos.

 

     Mas, nos anos sessenta, a cidade era muito pequena, quase não trafegavam veículos pelas suas ruas de pedra tosca e algumas de piçarra.

Nesse época, eu era ainda criança e conhecia a cidade porque costumava passar as férias na casa do Dr. Paulo Epaminondas da Frota, juiz de direito, casado com a minha tia Aracy.

 

     O Paulo, como eu sempre o tratei, na intimidade, era uma pessoa de grande cultura, conhecia bem o latim e até sânscrito. Eu adorava conversar com ele e aprendi muito nessas conversas. Observador e indiscretamente irônico, ele conseguia filtrar de fatos, aparentemente comuns, o lado pitoresco. Costumava dizer alguma coisa, rapidamente, e deixar as pessoas na dúvida se estava falando mal delas ou não, mas era tudo brincadeira.

                                                   

                     O amigo Belson

 

     O amigo Belson era uma das suas "vítimas" preferidas. Nas visitas do amigo, mal o homem tinha indo embora, ele ficava falando, de brincadeira, só para aperrear a minha tia, mulher dele (*): "Oh homem chato não é Aracy". A minha tia se danava. "Deixa de ser louco, o homem ainda está perto e pode estar ouvindo!" E ele emendava: "Belson! Belson! Não está não Aracy! Belson! Belson!" Falava com uma imitação, caricata, da voz da mulher do homem. Todo mundo ria e a minha tia acabava rindo também. Na verdade ele gostava muito do amigo, mas nem esse escapava das suas brincadeiras.

 

                  O castigo dos presos

 

     Foi o Paulo que observou e ironizou um fato, deveras interessante, os presos da cadeia local ficavam nas calçadas próximas e alguns até se aventuravam a ir mais longe e chegar somente à noite. Ironizando o inusitado fato, o Paulo contava que o diretor do presídio vivia apavorando os presos com ameaças deste tipo: "Eu já avisei, ninguém pode chegar depois das vinte e duas horas e quem cometer esse atrevimento, dorme na rua!".

* O tratamento correto é mulher e não esposa, ensinava ele.   

                  O Padre Pedro  

Redigida, pelo editor do site, baseado 

nas histórias contadas em família.    

                          

     O pároco da única igreja de uma cidadezinha do interior cearense era muito austero com todos, principalmente com a rapaziada, que ao invés de assistir à missa ficava paquerando as menininhas na entrada da igreja.

      "Tenham vergonha! Se não querem assistir à missa, não venham perturbar os fiéis!". Dizia sempre  aos rapazes. Mas não adiantava nada.

     Um dia, o mais folgado dos moleques, chegou perto do padre e arriscou uma pergunta indiscreta. "Padre Pedro, olha ali aquela gatinha linda e me diga, com sinceridade, o que o senhor faria se ela quisesse namorar o senhor?".

     O padre, pensando em voz alta falou: "Ah meu filho, essa sorte não é para o padre Pedro..." Ato contínuo, ao se dar conta do que acabara de dizer, ralhou e desta vez como nunca, com a rapaziada. "Cabras safados me respeitem e vão logo se mandando daqui senão eu dou umas *cipoadas  em vocês!". A frase: "Essa sorte não é para o Padre Pedro", virou adágio popular, significando: eu não mereço isso!... 

 


* Cipoadas: originalmente, aplicação de uma surra com um cipó, uma espécie de planta trepadeira ainda muito usada, como chicote, tanto no interior do Ceará como de outros estados do Nordeste. Depois passou a significar qualquer tipo de surra, com ou sem chicote. Vide Dicionário de
Cearensês.

 

 

 

 

 

 

                                Veja também as histórias do Seu Lunga e do Quintino Cunha

 

"A Popularidade de Castelo Branco"

 

Do anedotário popular 

Redação: Ceará-moleque 

 

    Nos tempos da ditadura militar de 1964, o então presidente Castelo Branco, apesar de cearense, não era nada benquisto no Ceará.  Pouco antes de sua morte surgiram muitas piadas com ele. Uma das mais interessantes é a do salvamento.  

 

    O Presidente teria vindo incógnita ao Ceará só para matar a vontade de tomar banho na lagoa de Messejana, como fazia quando menino. Mas, as lagoas de Fortaleza são traiçoeiras, possuem buracos resultantes de poços cavados no tempo da seca e o importante banhista ia se afogando. A tragédia só não aconteceu por rápida intervenção de um genuíno e audaz caboclo cearense que prontamente salvou o homem. Agradecido o Presidente então falou:

 

    - Meu amigo, você sabe quem salvou?... Eu sou o Presidente Castelo Branco!

O humilde caboclo tomou um grande susto e de joelhos suplicou desesperadamente:

    - Então pelo amor de Deus, senhor presidente, não diga a ninguém que fui eu quem o salvou senão eu estou "pebado" (liquidado em "cearensês").


 

                    Ai, da base!...

                                  Fundamentada em fatos publicados

                                   nos jornais da época e redigida pelo editor do site.

 

     Fato conhecidíssimo em Fortaleza, na década de sessenta, foi o caso do envolvimento de um soldado da Base Área com um homossexual. Na verdade, na época, ninguém sabia nem o que era homossexual, o infeliz era chamado, impiedosamente, de peroba (ô) ou viado (com "i", em cearenses é assim mesmo). Foi um escândalo que saiu em todos os jornais.

     Pronto, foi o suficiente para a verve piadista da molecada cearense criar o ditado: "Ai, da base!...". A expressão logo ganhou espaço em todas as rodas sociais. Bastava alguém desconfiar da masculinidade de determinado mancebo, para soltar a insinuação: "Ai, da base!...". Isso provocou muitas confusões.

 

O jornal O Estado nos idos de 1970

                Anotações  do editor do site  que trabalhava, na época, nesse jornal.

    Dos jornais de Fortaleza, era o menor, mas, o que chamava mais atenção pelas suas manchetes. Isto não quer dizer que era o que mais vendia. Muito pelo contrário, por piada falavam até que saiam 100 para as bancas e voltavam 101 no fim do dia.

 

    Mas, justamente nas bancas, era muito visto. Visto na verdadeira acepção da palavra, porque o visual era demais. O aspecto gráfico era de boa qualidade. Não faltavam mulheres seminuas na primeira página e manchetes chocantes: "Homem mata a mulher e levanta o pau pra filha". Tratava-se de um bárbaro crime perpetrado a pauladas.

 

                          Até as banquetas...

     Sempre inovador, o jornalista Veneluis, proprietário único do jornal  O Estado  resolveu fazer o que era comum na Europa, colocar banquetas self-service. Assim, economizaria no pagamento dos jornaleiros e estabeleceria um hábito educado e porque não dizer, refinado, entre os cearenses.

     As banquetas, com as gavetas para o troco já contendo algumas moedas foram distribuídas, inicialmente, na praça José de Alencar, nas proximidades do jornal.

     Porém, logo no primeiro dia da inovação, ocorreu um pequeno e trágico problema, levaram todos os jornais, o troco e até as banquetas.

                  A Lei do Chico de Brito

 

Do anedotário popular 

- redigida pelo editor

 

     Em 1912 um austero cidadão chamado Francisco José de Brito, assumiu as funções de intendente (prefeito) e delegado do Crato. Homem destemido que era Brito não queria conversa, quem andasse fora da lei, pobre, rico, importante ou não, ele prendia, processava e até castigava. Não se cansava nunca de dizer: "A lei é dura, mas é lei".

     Um dia o intrépido delegado prendeu um jovem estudante de direito só porque estava incomodando as moçoilas da pacata cidade, com gracejos. O rapaz, arrogantemente, perguntou. "Baseado em que lei o senhor acha que vai me prender?". Brito não pensou muito e disse. "Na Lei do Chico de Brito!".

    

Nota - Daí surgiu essa expressão "Lei do Chico de Brito" que, em "cearensês", significa: "Quem manda sou eu e não tem apelação".

 

 

    

 

Moça?...  

 

  

Do anedotário popular 

- redigida pelo editor

                  

    Hoje esta história não teria a menor graça, mas nos anos 70 a coisa era diferente. A virgindade das meninas era levada a sério e muito controlada pelos pais. Naquela época, as festas dançantes realizadas na sede do Fortaleza Esporte Clube, no bairro do Pici, eram muito animadas, mas as línguas ferinas do bairro afirmavam que nenhuma das freqüentadoras era "moça" (virgem, queriam dizer).

    Um dia, uma  austera senhora soube que a sua "comportada" filhinha tinha ido à  festa do clube. Depois que  teve certeza que ela tinha ido, muito abalada, foi ao local procurar a filha. Chegou e foi perguntando ao porteiro: 

    - Moço o senhor viu uma moça loura de cabelos compridos entrar aqui?...

 O homem esboçou um sorriso irônico e respondeu:

    - Moça?... Aqui?... Não senhora, eu nunca vi entrar nenhuma, só se pulou o muro...

           Terra de Homens Valentes

                           Do anedotário popular - redigida pelo editor

    Caucaia é uma cidade da área metropolitana de Fortaleza que tem lindas praias. Cumbuco, com suas imensas dunas, Tabuba e muitas outras.Todas muito famosas e procuradas nos fins de semana. Mas, a cidade também é famosa por outro motivo, nada edificante, a valentia, ou melhor, a violência dos seus habitantes, principalmente do sexo masculino.

    Contam que um dia chegou um alagoano, metido a valente, disposto a botar à prova a valentia dos homens da terra. Foi chegando e perguntado onde ficava o bar mais freqüentado da cidade. Lá chegando, de pronto perguntou a um caboclo de aparência pacata que tomava a sua pinga, encostado no balcão:

     - Então aqui é terra de homem valente?... E onde estão os homens valentes desta terra, que eu não vejo?...

O caboclo sorveu calmamente a pinga, e antes de levar o tira-gosto à boca disse humildemente:

     - Aqui não tem homem valente não seu moço, quando aparece um assim que nem o senhor, a gente mata!...  

  

O estranho modo de rezar de Dona Noemi

                                             Anotada,  pelo editor do site, das histórias contadas em família.

    Dona Noemi era uma senhora de uma das mais tradicionais famílias cearenses, tão tradicional que não vamos nem falar no sobrenome que hoje é famoso. Mas, dona Noemi tinha um jeito muito estranho de rezar o terço que tradicionalmente acontecia, precisamente às 18h, todos os dias, na maioria dos lares cearenses, lá pela década de 60.

     Naquela época, era comum que as famílias usassem crianças no trabalho da casa, geralmente caboclinhas do interior, raramente negrinhas, pois no Ceará a raça negra teve pouca penetração e a abolição da escravatura veio muito antes do resto do Brasil.

    Mas, na casa da D. Noemi trabalhava uma negrinha, vinda do Maranhão, com pouco mais de dez anos. Fazia de tudo, a pobre menina: espanava, varria, lavava roupa, só não cozinhava porque não sabia. Uma exploração da mão-de-obra infantil, hoje inconcebível, mas naqueles tempos, como já foi dito, considerada normal.

    Pois bem, Dona Noemi estava sempre preocupada com o trabalho da pobre negrinha. Exercitava com isso, inconscientemente, o seu sadismo nato. E durante as sessões religiosas não era diferente:

 "Ave Maria cheia de graça, o Senhor é convosco...".

     E aos gritos, emendava : 

"Negrinha sem-vergonha cuida do teu serviço, não pense que eu não estou de olho!".

    Em seguida, calmamente, continuava a reza : "...bendito é o fruto do vosso ventre, Jesus...".

                O vendedor de doces

 Testemunhada e redigida pelo editor

    O homem vendia doces de banana e goiaba em latas reaproveitadas de leite em pó e gritava pelas ruas de Fortaleza: 

- Olha o doce de banana e a goiabada cascão! 

(um tipo de goiabada com pedacinhos de casca da fruta). Um rapazola metido a engraçadinho gritava com o vendedor enquanto esse se aproximava: 

  - corno!

    O vendedor de doces continuava com a propaganda da sua mercadoria e o engraçadinho continuava o xingamento: 

- Corno!

    Quando o ambulante de doces já estava bem próximo do rapazola xingador, tirou uma peixeira (facão muito cortante) do caixote onde levava a mercadoria e tornou a gritar:

- Olha o doce de banana e a goiabada cascão!

     O rapazola então, malandramente, saiu-se com esta:

- Me vende logo três latas de goiabada e três de bananada que este teu doce é o melhor do mundo!

            As Histórias da Rita

 Diretamente ouvidas (da Rita) e redigidas

 pelo autor do site.     

                         

    Rita era uma moça que trabalhava, como costureira, na casa da Dona Ester, avó do redator destas linhas e era de uma ingenuidade nunca vista, mesmo para os anos sessenta, em Fortaleza.  Achava ela, por exemplo, que a lua era pregada no céu como um quadro na parede e por aí ia...

    Mas, as histórias que trazia de casa, eram ainda mais interessantes. Histórias verídicas, claro, senão não teriam nenhuma graça. Certa vez contou sobre o batizado do seu sobrinho, realizado na Igreja de Parangaba, bairro onde morava.

                   O batizado e o padre meio...

    O irmão da nossa Rita estava muito feliz com o batizado do filho, porém ficou muito preocupado no momento em que o padre começou a falar. Falava de um modo meio... Mas era só o jeito delicado de falar, todos os presentes eram testemunhas disso, o padre era muito querido no bairro. No entanto foi o suficiente para o homem ficar alarmado e protestar, baixinho, no ouvido da Rita, que, coitada, tinha cuidado de tudo com muito carinho: "Minha irmã, eu não quero o meu filho batizado por esse padre baitola!...".

    Foi um alvoroço e o batizado teve que ser adiado até o pai do menino ter certeza de que estava enganado a respeito do padre.

           Nos tempos do Café Wal-Can

Do anedotário popular 

- redigida pelo editor

 

        Nos bons tempos, como se diz, existia no centro de Fortaleza um estabelecimento do famoso Café Wal-Can que moia e torrava café na hora, além de servir cafezinhos deliciosos.

       Contam que um cidadão muito rico e conceituado na cidade também gostava de tomar um cafezinho ao pé do balcão. Porém, apesar do asseio da casa, com a louça esterilizada em caldeirão fervendo e tudo, ainda tinha um certo nojo. Assim, tomava um cuidado especial. Ao invés de levar a xícara à boca do modo como todo mundo faz, pela direita, ele virava a alça para a esquerda levando-a pelo lado contrário.

         Um dia, um cidadão cheio de perebas no rosto (provavelmente catapora ou rubéola) vendo o modo de tomar café daquele senhor aproximou-se dele e falou: “Que coincidência, o senhor toma café igualzinho a mim, eu também faço assim!...”.  

 

 

   

        

 As histórias redigidas pelo editor (ou corpo editorial do Ceará-moleque) são registradas. Todos os direitos reservados.