Editorial

Nivardo C. Nepomuceno é  Comunicador Social, Publicitário e Webmaster
 

 

PARA O SUPREMO TRIBUNAL FEDERAL

JORNALISTA É IGUAL A COZINHEIRO!...

     O Brasil deveria mudar de nome para República dos Caranguejos. Com todo o respeito ao País africano República dos Camarões. Para essa denominação existe uma explicação séria. Para o Brasil mudar de nome a explicação pode ser prosaica, mas não menos interessante. Ora, um País que só anda para trás como o nosso, nada mais justo do que se chamar Caranguejo. O presidente do Senado é o mesmo de décadas atrás, o retrógrado Código Penal tem quase setenta anos e agora o Supremo, comente uma bobagem, sem tamanho, ao anular uma lei que era fundamental para um jornalismo melhor, mais cultural e mais ético. Ora, comparar jornalistas com cozinheiros é um absurdo  (com todo o respeito aos cozinheiros, mesmo porque, nos países adiantados, eles fazem também cursos universitários). Achar que qualquer pessoa pode exercer a profissão de jornalista é o mesmo que achar que um bom pedreiro possa exercer a profissão de engenheiro.

     O jornalista é um formador de opinião. Agora, vamos colocar qualquer pessoa como formador de opinião? O que vai ser da nossa juventude lendo bobagens escritas por qualquer um? O Supremo superou o Congresso em decisões infelizes. Um diploma universitário, com mais de quarenta anos, foi jogado no ralo.  Vamos protestar companheiros "cozinheiros" pois é isso que, para o Supremo, nós somos. E já que agora é assim, vamos apimentar as notícias, como eu estou fazendo aqui!...

      Outros argumentos da decisão:

     O primeiro a votar, nessa quarta-feira, 17 de junho de 2009,  foi o presidente do STF (Supremo Tribunal Federal), Gilmar Mendes, relator do caso. Mendes defendeu a extinção da obrigatoriedade do diploma para o exercício da profissão de jornalista:

"Quando uma noticia não é verídica ela não será evitada pela exigência de que os jornalistas frequentem um curso de formação. É diferente de um motorista que coloca em risco a coletividade. A profissão de jornalista não oferece perigo de dano à coletividade tais como medicina, engenharia, advocacia nesse sentido por não implicar tais riscos não poderia exigir um diploma para exercer a profissão. Não há razão para se acreditar que a exigência do diploma seja a forma mais adequada para evitar o exercício abusivo da profissão".

  Na comparação com os cozinheiros, esqueceram que cozinhar oferece muito risco. Já pensou numa comida feita com ingredientes vencidos, ovos então, é infecção por salmonela, na certa.  Seguindo essa norma, os cozinheiros deveriam, necessariamente, ser formados em faculdades.

     Achar que a palavra massificada, através de qualquer veículo, não constitui perigo, é o maior absurdo que já ouvi na minha vida, A palavra é muito mais forte do que um míssil,  bomba nuclear o seja lá qual for a arma letal que exista ou passe a existir. Quem já não ouviu falar do programa de  Orson Welles - "A Guerra dos Mundos" - levado ao ar em 30 de outubro de 1938, nos Estados Unidos e até hoje citado como uma prova da força da palavra transmitida por um veículo de comunicação de massa, na época, o rádio, pois jornalismo, lato  sensu, também inclui esse veículo e outros.

 Era  noite do dia das bruxas e Orson Welles começou a transmitir uma dramatização denominada  "A Guerra dos Mundos"  pela estação de rádio CBS. Por uma hora ingênuos trechos de música eram interrompidos por flashes realísticos de radialistas cada vez mais desesperados à medida que iam descobrindo e relatando que explosões em Marte e meteoritos caindo na Terra eram na verdade uma invasão alienígena em pleno curso capaz de vaporizar nossas melhores defesas com 'raios de calor'. Sete mil homens marcharam contra uma única máquina de guerra marciana, pouco mais de uma centena de sobreviventes sobraram na trágica batalha em Grovers Mill, Nova Jérsei. O nosso mundo estava sendo aniquilado, e essa era a travessura de Halloween de Welles. O pavor  tomou conta da população de Nova Jérsei, cidade americana onde a brincadeira foi tomada como realidade pelo povo. Contrariando o inútil pedido do governo para que as pessoas se acalmassem e ouvissem as explicações do próprio Welles, muitas dessas pessoas, que ouviram trechos do programa, começaram a fugir desesperadas para lugar nenhum, lotando as estradas.  A brincadeira  mudou o mundo, demonstrando o real poder da comunicação de massa.

     Era um show, mas, foi o enfoque jornalístico que provocou o pânico. E vem agora o Ministro do Supremo, Gilmar Mendes, achar que a palavra massificada, não constitui perigo.
Eu poderia ainda encher dezenas, centenas de páginas de exemplos semelhantes. Poderia falar de Gobbels, Ministro da Propaganda de Hitler que também mostrou que a técnica da comunicação de massa é uma arma poderosa e de muitos outros exemplos. Mas, creio que não é necessário, tenho certeza que quem está lendo este artigo sabe de tudo isso e pelo visto, muito mais do que o ministro.

     Mas, afinal, a quem interessa isso? Ao jornalista, com certeza não. Ora, basta ver quem está elogiando para ver de onde partiu essa aberrante ideia. Mostre-me a quem interessa o crime que eu mostro o criminoso, essa máxima se encaixa muito bem nesse caso.  E todos os brasileiros sabem muito bem a quem interessa. Aos de sempre, aos que elegem e derrubam presidentes, aos donos do País. "Plim Plim".

Nota: O Congresso Nacional, através de uma emenda constitucional, deverá mudar esse absurdo, muito brevemente. Uma Pec (Projeto de Emenda Constitucional já circula no Senado e outra na Câmara.