Editorial

Nivardo C. Nepomuceno é  Comunicador Social, Publicitário e Webmaster
 

  Agora somos todos analfabetos!...

     A nova Reforma Ortográfica da  Língua Portuguesa já está em vigor. Entre as novas regras previstas em decreto aprovado pelo presidente Luis Inácio Lula da Silva, em julho de 2008, encontra-se o retorno de três letras ao alfabeto: k, w, y, que serão utilizadas em palavras estrangeiras, como "Show", por exemplo. Aliás, isso não é nenhuma novidade, pois o Aurélio já vem adotando há muito tempo.

 

     Estamos diante do maior desvario que já se cometeu nas reformas da Nossa língua. Com a Unificação da Língua Portuguesa, as populações do Brasil, Angola, Guiné-Bissau, Moçambique, Portugal, São Tomé, Príncipe e Timor-Leste, passam a ter uma única forma de escrever. Acreditam os criadores das novas regras que as mudanças vão facilitar a vida das pessoas nesses países. Quanto ao Brasil... Que se danem os brasileiros!... A reforma é tão risível que parece até piada de português... Espero que, pelo menos, não tirem o acento de cágado...

    Ora, por qual razão eles não mudaram as regras deles para se unificarem às nossas? (O Brasil é o maior país de língua portuguesa). Agora vamos todos ficar, no mínimo, semi-analfabetos (com ou sem hífen?). Por outro lado, vamos inutilizar todas as nossas bibliotecas. Duvidam disso?... Pois vejam: Ao ler um livro nós estamos levando informações para o nosso cérebro não só no que diz respeito ao assunto do livro, mas, quanto a forma de escrever do autor. Normalmente citamos José de Alencar, Machado de Assis ou outro grande escritor para mostrar como se grafa uma palavra que suscite dúvida. Agora até eles vão se tornar semi-analfabetos... Nos vestibulares então, vai ser uma  verdadeira catástrofe ortográfica. Normalmente grande parte dos postulantes às universidades já fazem miséria da língua durante as provas e agora então!...      

      Destaca-se, entre as mudanças, a retirada do circunflexo nos verbos crer, ler, dar e ver. Esses, vão perder o acento nas palavras escritas na 3ª pessoa do plural”: palavras como: abençôo, magôo, dôo, enjôo, crêem, lêem, vêem.

 

 

     O trema não é problema, mesmo porque muitos já o haviam retirado por conta própria. Utilizado em grafias como cinqüenta, qüinqüênio, conseqüência etc., deixa, definitivamente de existir e não deixa saudades. Apenas será usado em nomes próprios, o que é lógico, pois ninguém haveria de mudar o nome por causa de uma reforma ortográfica, mesmo porque o nome "próprio" já é bem claro, é próprio. Nem seria necessário referência a isso. O único exemplo que nos ocorre é Müller, talvez por causa do jogador de futebol de passado recente.

     As paroxítonas terminadas em ditongos abertos como assembléia, alcatéia e até a nossa prosaica jibóia também perderão o acento. “As palavras saída, saúde e baú, continuam com os seus respectivos acentos, porque não possuem o ditongo antes. Pára, do verbo parar (essa é demais), também fica sem acento. Mas, pôde continua com o circunflexo para diferenciar de pode”. O pára para o para não precisa diferenciar mas o pode do pôde, precisa.Vê se pode?!...

O hífen

     O hífen, que já era complicado, agora se tornou muito mais: Vejamos algumas regrinhas do hífen. Quando a segunda palavra começar com h ou com a mesma vogal em que termina o prefixo. “ Super-humano, super-homens, micro-ônibus, micro-ondas, continuam com hífen (aqui é bom que se diga que o Aurélio não grafa microônibus e microondas com hífen). Já a palavra super-regional, pelo contrário, perde o hífen e passa a ser grafada com dois (rr)”. Isso porque, em prefixos terminados pela letra “r”, emprega-se o hífen se a palavra seguinte iniciar pela mesma letra. Por exemplo: super-resistente,  hiper-realista, inter-racial, inter-regional etc.  Palavras constituídas por prefixos como “ex”, “vice” e “soto”, “circum” e “pan”, continuam com hífen: ex-marido, pan-americano e circum-navegação.

Uma modesta sugestão para a reforma

     Porque não colocam acento agudo em "Gratuito" (úi). Isso traria grande benefício. Evitaria que os apresentadores daquela rede de televisão pronunciassem a palavra de modo, ridiculamente, errado: "Gratuito" (ito). A palavra não segue a regra das proparoxítonas (acento na antepenúltima sílaba, mas é pronunciada como tal.

PS. Gente, eu não sou nenhum estudioso da língua portuguesa, sou apensas um redator e necessito de um bom conhecimento da língua, por isso tento me situar dentro das novas e desastrosas regras. Mas, diante de tantos absurdos eu deixo uma pergunta no ar: Será que o autor do Samba do Crioulo Doido não participou dessa reforma?