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Terra da Luz
O
Ceará é conhecido por Terra da Luz. Julgam que é devido ao seu
intenso sol. Nada disso. Esse título foi dado por José do Patrocínio
pelo fato da então província ter abolido a escravatura antes do
Brasil. No dia 25 de março de l884, sem dar a menor "bola"a
D.Pedro II, o Ceará libertou, definitivamente, os seus escravos.
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Ceará-moleque
Trata-se de uma expressão criada pelo próprio cearense para explicar o seu jeito irreverente de ser.
Um povo tão gozador, que já vaiou até o sol quando este teve a petulância de passar três dias sem aparecer!
Afirmam que surgiu com Adolfo Caminha (1) no romance A
Normalista, obra que descreve às irreverências, hipocrisias e
molecagens do povo cearense. De
fato, a palavra aparece neste trecho do livro:
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"Estás vendo,
menina? Lê isto aqui. E apontou com o dedo.
Eram uns versos de pé de viola que contavam o recente namoro do Zuza:
“A normalista do
Trilho,
ex-irmã de caridade,
está caída pelo filho
dum titular da cidade.
O rapazola é galante
e usa flor na botoeira:
D. Juan feito estudante
a namorar uma freira...
Eis por que, caros leitores,
eu digo como o Bahia:
— Falem baixo, minhas flores,
Senão... a chibata chia!...”
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Lídia achou graça na versalhada. Ela também já
saíra na Matraca.
— Um desaforo, não achas? perguntou a normalista indignada.
— Que se há de fazer, minha filha? Ninguém está livre destas coisas no
Ceará-moleque. Não se pode conversar com um rapaz, porque não
faltam
alcoviteiros. Olha, eu aposto em como isto que aqui está saiu da cachola
do
Guedes".
(1)
Adolfo Ferreira Caminha (Aracati, 29 de maio de 1867 —
Rio de Janeiro, 1 de janeiro de 1897) Escritor cearense, um
dos principais autores do Naturalismo no Brasil. Nasceu
em Aracati Ceará, em 29 de maio de 1867. Ainda na
infância foi para o Rio de Janeiro com a família. Entrou
para a Marinha de Guerra, onde apesar de chegar a
segundo-tenente, teve que dar baixa, forçada, por raptar a
esposa de um alferes, com quem passou a viver.
Publicou, em 1893, o romance A Normalista, que
mostrava um quadro pessimista da vida urbana de Fortaleza.
Esteve nos Estados Unidos e, inspirado na viagem para este
país, escreve: No País dos Ianques (1894). No
entanto, somente firmou a sua reputação literária ao
escrever Bom Crioulo, onde abordava, a questão da
homossexualidade. Foi também um grande colaborador da
imprensa carioca, em jornais como Gazeta de Notícias e
Jornal do Commercio. Já tuberculoso, mal da época, lança
o romance, Tentação, sua última obra (em 1896).
Faleceu, prematuramente, no Rio de Janeiro, no dia 1º de
janeiro de 1897, com apenas 29 anos.
Sua obra repleta de tragédias e descrições de crimes e
perversões foi pouco apreciada, na época, sendo reconhecida
somente tempos depois de sua morte.
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Veja
a seção: Histórias
e causos
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